Tem uma propaganda de cerveja na televisão em que o noivo
promete no altar que só vai ser fiel se ela prometer que vai
ser gostosa sempre, igual a cerveja que ele toma. O
comercial até pode ser muito engraçado mas lembra uma triste
realidade nestes tempos de relacionamentos descartáveis, de
namoros com menos tempo de validade do que os próprios
presentes deste 12 de junho.
Mas qual é mesmo o tempo de validade de um namoro? Conforme
outra propaganda na televisão, não dura mais que um ano.
Neste comercial a atriz Débora Secco está comprando um
celular, e na promoção pode levar outro para o seu namorado
e os dois falarem por um ano com preço reduzido. A atriz,
que segundo as fofocas vive trocando de namorado, se espanta
com a proposta de ficar um ano com o mesmo cara. É outro
comercial engraçado mas apontando para esta tragédia da vida
real.
Houve tempo em que o namoro durava mais, tudo na intenção de
um possível casamento. Encontros românticos na casa da moça
até certo horário, diálogos na sala ou no portão da
casa, abraços e beijos limitados, sempre com planos
para o futuro. Hoje este tipo de relação é motivo de piada.
Namoro hoje é ficar, sempre com camisinha no bolso. Mas será
que não está aí o fracasso do próprio namoro no
casamento?
Na verdade todos estamos sendo vítimas de uma propaganda
enganosa e maldosa, que nos tenta vender a idéia de que
feliz é aquele que experimenta e troca. É a filosofia do
consumismo pela novidade, da experimentação, do teste-drive,
do tira-gosto. É assim nos supermercados com banquinhas por
todos os corredores nos oferecendo uma prova de novos
produtos. É assim nos relacionamentos do namoro e do próprio
casamento. É preciso experimentar, usar bem, saborear ao
máximo (aí quem sabe vem o termo “gostosa”). Mas o pior é
que logo surgem outras novidades, novas atrações. E daí o
negócio mesmo é trocar. Será?
Vinícius de Moraes no
poema Soneto da Fidelidade, falando sobre o amor, diz no
final a maior besteira que alguém podia expressar: "Que não
seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito
enquanto dure". Mas que conversa é esta? O amor é eterno
enquanto dura? Que bobagens são estas que estamos engolindo?
Coisas como “vamos ficar juntos enquanto estiver legal,
enquanto nossos sentimentos estiverem emocionando nosso
relacionamento. Quando acabarem as emoções e o amor, cada um
então siga o seu caminho”.
Melhor mesmo é ouvir o poema do apóstolo que diz tudo aquilo
que um namoro precisa ter: “O amor é paciente e bondoso. O
amor não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Não é
grosseiro, nem egoísta. Não se irrita, nem fica magoado... O
amor nunca desanima, porém suporta tudo com fé, esperança e
paciência. O amor é eterno” (1 Coríntios 13.4-8)
É claro que o nosso amor está muito longe de ser tudo isto.
Mas a gente pode chegar lá. Caso contrário, o mesmo apóstolo
não escreveria: “marido, ame a sua mulher assim como Cristo
amou a igreja e deu a sua vida por ela” (Efésios 5.25). O
segredo deste amor é o próprio Cristo.
Dia dos namorados,
apesar da propaganda, pode ser mais que um dia, um mês, um
ano, ou enquanto durar. Dia dos namorados pode ser todos os
dias “até que a morte separe”.
(Dedico este
artigo ao casal Arthur e Erna Zschornack que completou neste
10 de junho sessenta anos de casamento)
Pastor Marcos Schmidt
e-mail:
marsch@terra.com.br
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